A primavera é uma estação que traz consigo uma série de mudanças na natureza, incluindo o aumento da atividade das abelhas. Durante este período, os ataques de abelhas se tornam mais frequentes, o que torna essencial o conhecimento sobre as reações do corpo humano ao ferrão e os cuidados necessários para prevenir incidentes. Segundo especialistas, uma única picada de abelha pode, sim, ser fatal, especialmente se a pessoa for alérgica ou se a picada ocorrer em regiões sensíveis, como o pescoço.
Cristofer Yuri Silva de Melo, um menino de seis anos, infelizmente se enquadrou nessas circunstâncias. Ele morreu após receber uma única picada de abelha enquanto brincava no sítio de seu avô, em Sengés, nos Campos Gerais do Paraná. A tragédia ocorreu mesmo depois de Cristofer já ter sido atacado por um enxame meses antes, o que demonstrava que ele não possuía alergias aparentes.
De acordo com a mãe de Cristofer, Tania Grazy, a equipe médica que atendeu o menino explicou que a picada se agravou para óbito devido ao local em que ele foi picado. A picada no pescoço fez com que o veneno fosse diretamente para a corrente sanguínea da criança, acelerando a gravidade da situação. Infelizmente, isso resultou em um choque anafilático, que levou à parada cardiorrespiratória do menino.
O médico socorrista Rusllan Ribeiro, que participou do atendimento, detalhou as reações do corpo ao veneno da abelha. Quando uma pessoa é picada, ocorre um inchaço no local da ferroada. Esse inchaço pode ser ainda mais perigoso quando acontece em regiões como o pescoço, pois pode obstruir as vias aéreas, dificultando a respiração e, em casos extremos, levando à morte.
No caso de Cristofer, o hospital confirmou que ele tinha uma grave alergia a picadas de abelhas, o que resultou no choque anafilático. De acordo com o médico, alergias graves podem ser detectadas por meio de exames específicos, como o teste “IgE” (Imunoglobulina E), que mede a quantidade de anticorpos no organismo. No entanto, esse exame é geralmente mais caro e recomendado apenas quando há suspeitas de alergia.
O Ministério da Saúde do Brasil também registrou, em 2023, cerca de 33 mil acidentes devido a picadas de abelhas. Esse número reflete a crescente preocupação com os riscos associados a esses insetos. Entre as picadas de animais, as de abelhas e serpentes têm as maiores taxas de letalidade, com 0,37% e 0,43%, respectivamente.
Em caso de picada de abelha, o Corpo de Bombeiros recomenda uma série de cuidados imediatos. O primeiro passo é lavar a área afetada com água e sabão. Além disso, os ferrões devem ser removidos da pele com uma lâmina ou agulha, sem pressioná-los, para evitar que o veneno ainda presente no ferrão seja liberado no corpo.
O uso de pinças deve ser evitado, pois elas podem pressionar o reservatório de veneno, fazendo com que mais veneno seja injetado no corpo. Segundo o Corpo de Bombeiros, os ferrões continuam liberando veneno mesmo após a picada, e removê-los corretamente pode interromper esse processo, evitando complicações.
Além disso, o médico Rusllan Ribeiro reforça que, caso a pessoa apresente reações graves, como grande inchaço ou dificuldade para respirar, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente. Uma opção é o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ligando para o número 192.
O Corpo de Bombeiros alerta que o calor da primavera, aliado à florada, contribui para o aumento da atividade das abelhas, tornando-as mais agressivas. A alta temperatura também influencia a formação de enxames itinerantes, ou seja, enxames que se deslocam em busca de novos locais para se instalar.
Nessa época do ano, as abelhas se tornam mais agitadas e, portanto, mais propensas a atacar. Por isso, é essencial estar atento a algumas recomendações para evitar esses incidentes. O Corpo de Bombeiros do Paraná sugere, por exemplo, que se evite movimentos bruscos e excessivos próximos a colmeias, pois esses podem irritar as abelhas.
Outro ponto importante é o silêncio. Os gritos, especialmente os de tom agudo, atraem as abelhas, que se sentem ameaçadas e tendem a atacar. Também é aconselhado evitar o uso de máquinas barulhentas perto de colmeias, pois o som pode agitar as abelhas, tornando-as mais agressivas.
É importante ensinar as crianças sobre como se precaver ao lidar com abelhas e outros insetos, como vespas e marimbondos. Além disso, as crianças devem ser orientadas a não matar esses insetos, pois isso pode provocar um ataque em resposta à ameaça percebida.
Pessoas alérgicas a picadas de insetos, em especial de abelhas, devem evitar caminhar em áreas de mata. Isso ocorre porque, para essas pessoas, uma única picada pode ser suficiente para desencadear um choque anafilático, uma reação alérgica grave que pode ser fatal se não tratada rapidamente.
Os animais domésticos também devem ser mantidos longe de enxames de abelhas, pois o barulho causado por eles pode agitar as abelhas, provocando um ataque. Além disso, ao contrário das abelhas, que perdem o ferrão e morrem após picar, vespas e marimbondos podem picar várias vezes, pois não perdem o ferrão após o ataque.
Em situações mais graves, como a formação de colmeias em áreas residenciais, é importante acionar um apicultor especializado para a remoção segura do enxame. No caso de ataques em que há risco de vida, o Corpo de Bombeiros deve ser contatado pelo telefone 193.
O Corpo de Bombeiros enfatiza a importância de ter precauções durante a primavera, uma estação que, apesar de ser bonita, traz consigo os riscos de ataques de abelhas. Saber como agir e como prevenir é fundamental para garantir a segurança de todos, especialmente de quem tem histórico de alergias ou de quem está em áreas de risco.
Por fim, com o aumento das picadas de abelhas na primavera, a conscientização sobre os cuidados necessários, os primeiros socorros e as medidas preventivas é fundamental para evitar tragédias, como a morte de Cristofer, que poderia ter sido evitada com mais informações e precauções.